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sábado, 17 de dezembro de 2011

Ela 12

Ela bebe cervejas escondidas em garrafinhas verdes
Ela desfila de calcinha displicentemente no apartamento
Ela ouve um bluezinho nacional barato, mas que mexe muito com os miolos dele.
As luzes da sua arvore de natal estão quebradas jogadas dentro da caixa de um sapato que já não existe mais.
Tem roupas esquecidas lavadas dentro da maquina de lavar
Ela não dorme.
Ela passa demaquilante nos olhos ao som dessa guitarra
Acabam as garrafas verdes
Ela abre uma das marrons, a ultima.
Reconhece o sabor, péssimo.
Importada, mas pessima.
Deve tomar assim mesmo.
Ela quer ver aquele filme coreano de 129 minutos, mas esse blues não deixa
Nem esse Blues, nem essas fotos amareladas.
Ela suspeita que a cerveja esteja azeda
Deixa de canto.
Desencana.
Coloca um ultimo blues.


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Ela 19

Ela pensa bobagens
Ela sonha com guerras
Ela sonha que tem cães pela casa
Ela deseja conscientemente em ter um Labrador no pequeno apartamento central,
mas se preocupa com o tamanho das bostas.

Ela sonha com pitbus brigando, mas no fundo os acha fofos e amáveis.
Ela sonha que está brigando
Ela se envolve em brigas de trânsito
Ele bebe pequenos goles de vinho

Ela vê um dos seus quadrinistas favoritos vestido de mulher no seu restaurante preferido
Mas ela fica na dela.

Ela anda pela avenida Paulista num frio de 11 graus
Ela compra uma cerveja bem gelada em um bar de esquina na Rua Augusta com suas moedinhas.

Ela deseja sugar algo com as narinas
Ela entra no carro vinho

Ela beberica vinho
Ela pensa besteiras
Ela discute com o gerente de um restaurante babaca na alameda Lorena

Ela limpa os olhos com um demaquilante suavemente perfumado
Ela assiste trailler de filmes que quer ver na tela do computador.

Ela lê os articulistas
Ela admira a professora grosseira da aula de analógico
Ela caminha com passos largos na Paulista de 11 graus
Ela tem pés gelados guardados em meias de poliamidas

Ela ouve Ira e toma um cadinho mais de vinho.
Ela vai com você a onde quer que você vá
Acredite

Ela é uma boa garota
Ela lê poeminhas aleatórios da Ana Cristina Cesar, todas as noites.

Ela quer beber mais e abrir as pernas delicadamente com a pele da face cheirando a demaquilante, os cabelos desgrenhados, e um bluzinho vagabundo.

Ela vai a onde ela quer




sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Ela 18?

Ela está ouvindo Motorhead a 02 dias, sem parar, ouve todas as musicas, repetidas vezes!
Ontem entre um Metallica e um Caetano, lembrou de Motorhead, desde então não parou!
Está gostando muito desse som pesado, despejando melancolia e bravatas agressivas nas suas tardes geladas.
Sim, está fazendo um frio de machucar o rosto, de riscar a pele. Em compensação está fazendo um céu azul, azul todos os dias, um azul que ela nem sabe de onde vem.
Suas mãos estão frias, seu cabelos cobreados estão sempre com as pontas húmidas, frias.
Sua conta bancária está quase 400 reais negativos, ela andou pagando umas contas e indo assistir filminhos baratos em um cinema grande que fica aqui perto.

Ela sangra pelas pernas,
suas narinas estão ressecadas como nunca estiveram
Ela anda impaciente e melancólica

Em uma dessas tardes de inverno, ele quis que todos saíssem, mas não podia expulsa-los, e isso só triplicou sua angústia de mais uma tarde dessas sem sentido.

Sentido em produzir, ser pratica, realizadora, não, definitivamente não. Não conseguia, não queria, não podia! As vezes simplesmente não da!
Ela queria só jogar suas roupas do velho armário no chão, rasga-las, cortar-se um pouco, dançar e talvez depois, dormir. Talvez.

Ela entrou no chuveiro, assistindo seu sangrar, sangrar sem fim...
Ficou muito tempo deixando a agua quente cair na sua pele fresca, lavar o sangue, enfiou a toalha de banho perto da garganta para abafar o grito, abafar o berro.
O berro do desespero sem fim, da angústia sem endereço,
Pensou no sangue que saíra de dentro de si pela via errada, talvez ele desejasse sair por outra via...

Anda com uma vontade violenta de dirigir um carro, de dirigir bastante em uma estrada.
A impossibilidade de fazer isso, a atormenta de uma maneira estrondosa, violenta.

Está frio, está sangrando
está azul... está sozinha!

Suas mãos estão frias, muito frias
Ela quer fazer um bolo, mas não sabe se vai ter paciência.
Não sabe.




quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ela 16

Ela acordou antes das seis da manhã
O despertador ainda não havia tocado
Ela se aconchegou na cama
Sentia uma brisa fria entrar por alguma fresta de alguma janela qualquer

Ela levantou depois das seis
Ela leu os jornais, tirou a roupa e antes que pudesse congelar, vestiu as meias de lã,
a camisa de naylon, se empacotou.
O silencio que dançava com o vento frio da manhã, foi interrompido por Miles Davis.

Ela expôs sua vida e ilustrou seus pontos de vista explicitamente para 03 bandos de adolescentes
Ela se perguntou porque não estava em casa, tomando uma bela xícara de chá quente
Ela se entediou com aqueles adolescentes birutas.

Ela precisava comprar uma garrafa térmica, mas comprou um carrossel musical
Ela pegou um ónibus lotado
Ela levou um bolo
Ela comeu chocolates pelo caminho
Ela sonhou que dormiu
Acabou.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Ela 15

A Casa estava toda desarrumada
Pedaços de fios, restos de uma obra inacabada, poeira excessiva pelo chão, cobrindo alguns moveis, roupas molhadas, sujas, limpas, todas juntas e separadas espalhadas
Revistas, jornais, garrafas vazias...

Ela acordou com os cabelos umidecidos,
Os olhos inchados, acordou as 4 da manha, o céu estava magenta, atrás do vidro, magenta.
Sonhou, pensou, apertou a bexiga e tentou dormir.

Ela chora
Ela é uma catástrofe
Ela sofre
Ela cai no fundo do poço cheio de lama

Ela tem os cabelos sujos, oleosos
Ela está com os olhos inchados, já são quase seis
E o céu mudou de cor
é tudo azul agora, de um azul escuro quase negro.
Está quente, uma manha quente

Ela faz obrigações pela manha
Ela divide dois ónibus cheios
Ela sobe uma ladeira íngreme

Ela come balas coloridas
Ela le poemas de Ana Cristina Cesar e Jack Keroak

Ela chega 08 horas antes para assistir uma palestra
Ela ouve Ira e chora mais

Ela fica entediada no transito da nove de Julho

Ela ouve Queen
Ela trabalha que nem um Zumbi

Ela tem uma casa suja e bagunçada
Ela joga fora os jornais antigos,
Ela toma banho, ela come comida chinesa
Ela vê um filme Chinês
Ela dorme

Ela sonha ineterruptamente com um chato pegando no seu pé
Ela acorda antes das 9
Ela ouve Creendence, come iogurte de chocolate, lava os cabelos ruivos

Ela recebe uma ofensa virtual
Ela faz projetos com um amigo
Ela recebe a empregada e fica feliz

Ela volta a trabalhar enquanto ouve Queen




quarta-feira, 9 de março de 2011

Quase Quatro Semanas

Vai fazer quatro semanas que ela não disca aquele número
Vai fazer quatro semanas que ela não fala com ninguém do lado de lá.
Vai fazer quatro semanas que ninguém liga para saber algo sobre ela.
Vai fazer quatro semanas que ela não quer ligar
A primeira semana foi péssima, a segunda foi boa, a terceira ela já nem lembrava mais do rosto deles, essa quase quarta semana, ela pensa em tomar alguma atitude, mas os dias são corridos o bastante, existem muitos livros para serem lidos, muitos filmes para assistir, muito trabalho para cumprir, não da tempo, sempre fica tarde! Ontem já passava das dez, hoje já passa das nove...

Talvez ela tenha o mesmo problema, talvez esteja fazendo muitas compras, lavando muitos panos de prato, chorando muito nas noites de verão, sorrindo para todos no shopping center aos sábados a tarde... Também nunca da tempo para ela, é bem possível.
Afinal as pessoas não tem tempo, nunca tem.

Algumas não tem para esse negócio de relação pessoal, bobagem! Tanta coisa para fazer, imagina!

Se ela ao menos tivesse MSN, mas ela não está conectada, muito provavelmente nunca irá ler esse post, a menos que imprima e envie pelo correio enfiado num envelope pardo.

Não vou enviar, preguiça, não da tempo.

A magoa passou, a minha passou, a dela eu não sei. É mais rancorosa que eu, sempre foi, muito mais. Uma pena.
Uma grande bobagem na verdade esse negócio de alimentar magoa por muito tempo, um câncer.

Apesar da magoa ter passado, a saudade é pequena.
Existe, evidente, mas é pequena. Não sei o lado dela, não posso avaliar.

O que me incomoda é não saber como ela está, porque a amo, e penso nela, espero que esteja bem. Deve estar. Fora a magoa, o rancor, a inveja, a saudade... enfim deve estar bem, absolutamente.

Pelo menos, é isso que eu desejo que ela esteja bem, feliz até.





sábado, 15 de janeiro de 2011

Ela 9

Ela sonhou que estava na piscina
Nadando, nadando...
Acordou atrasada querendo ir nadar, mas era sábado.
Ela fumou cigarrinhos na noite anterior
Dormiu com um pouco de sede
Ela toma banhos quentes e demorados
Ela ouve Lobão numa vitrola quebrada
Ela sabe cozinhar
Ela usa calcinhas pequenas
Ela é um pouco temperamental
Ela gosta de ficar acordada no meio da noite
Ela le poeminhas sujos no meio da noite
Ela tem medo de insetos voadores
Ela tem um abajur magenta
Ela quer ver um filme
Ela toma vinhos chilenos da padaria

Ela tomou vinho com a a maquiagem borrada
Com a virilha suada, com o esmalte azul clarinho, descascando na ponta das unhas
Ela não tirou a roupa do trabalho
Ela ouve Lobão
Ela está com a maquiagem borrada
Ela está com a virilha molhada...