quarta-feira, 30 de junho de 2010

Cupcake




O Deslumbrante
O Mágico
O Rápido
O Simples
Bolo da caneca!!!
Tudo começou quando numa bela e livre noite de sábado(o que é muito raro) eu e meu amado passeavámos pelos Jardins, com uma vontade louca de experimentar, de me deliciar com um desses bolinhos cobertos de glacê coloridos expostos em vitrines finas da rua Augusta... Mas o telefone tocou e nem sempre são vendas, ou convites agradáveis, sei que o Tchê largou tudo e lá fomós nós embora, atrás de solucionar mais um dos tantos pepinos, sem glacê colorido e nem teatrinho no final.
Ok.
Pensei que havia esquecido dessa história, mas lá pelas tantas, com a cara um pouco cheia, lamentei para minha criativa e esperta amiga o episódio ", Cupcake interrompido"
Eis que senhorita Aninha surge com a incrível idéia de fazer um Cupcake em casa, na caneca, eu não só aprovei a idéia como corremos para a cozinha, e não é que deu super certo?
Não tinha glacê colorido, o que aquela altura era um mero e tolo detalhe.
Ontem decidi fazer um para o Logan, caprichadissimo, desta vez super bati o ovo antes, ele adorou! Me ajudou a fazer, fizemos juntos e comemos também, quase não consigo fazer a foto da minha obra prima, tamanha euforia de atacar o bolinho que a criança estava.
E hoje, repeti a dose mais uma vez, o Logan está adorando isso.
E eu estou com 1000 idéias Cupcakequianas, só não sei onde vou encontrar tempo para executa-las, mas adorei!
Suja somente uma caneca e um garfo!
Demais, demais!
Orapaz com cara de paraguaio é meu amigo Paulo, entretido nas batatinhas da onda, nem se deu conta do Cupcake, detalhes.



terça-feira, 29 de junho de 2010

Clientes que amamos!

Eu e Rosa, no jogo do Brasil com a Costa do Marfin, no Buffet Villa Kids
Vila Guilherme Eu e a Patrícia, também em festa no Villa Kids Vila Guilherme.


E aqui com a Queridissíma Dona Tereza, 04 anos seguidos fotografando as netas dessa italiana amável e divertida.
Sempre trabalhando, sempre fotografando,
full time, mais amando!

domingo, 27 de junho de 2010

A Mais bonita 3x4 da minha vida 2003/2004

Em Março de 2004 eu era demitida do primeiro e único emprego estável da minha vida. Eu tinha 23 anos, um filho de 2 anos, estáva me separando e cumpria aviso prévio, tratando alguns superiores com certa arrogância de quem precisa se arrumar e sair a hora que pintar entrevista no meio do expediente para garantir a vida.
Simples assim, sem mistérios.
Neste ultimo mes de trabalho, me dava ao luxo de ir bem arrumada, sem a camiseta do uniforme e ir a luta. Foi num desses dias que tirei essa 3x4 numa cabine do shopping e ficou assim, linda.
Linda mesmo.
Antes de levar essa foto para uma empresa qualquer, corri até o poupa tempo, e tirei um Rg novo, a foto merecia tal reverência. Nunca havia saido tão bonita numa foto 3x4, poucas pessoas tem essa sorte, ainda mais eu que não sou muito fotogênica.
No mesmo dia, tive mais uma violenta briga com meu ex marido e peguei meu filho e levei ele junto comigo no poupa tempo e ele também ganhou seu r-gezinho, a foto tb merece um r-gezinho, ele não tinha completado ainda os 2 anos, não parava quieto, chovia uma garôa fina, mas eu estava confiante.
Deixei ele na casa da querida vó paterna e voltei ao trabalho, triste com os momentos duros daquele começo de 2004, mas confiante com essa cara estampada no papelzinho3x4.
Decidida a me separar definitivamente, em 02 meses arrumeium dos trabalhos mais legais da minha vida, graças a esse cabelo ai, sem escova, sem cloro, sem tinta...
Como a vida mudou depois desse retrato...

GOVERNO FECHA OFICINAS CULTURAIS

Clica com o mousse em cima da imagem e leia a noticia ampliada.
Estou CHOCADA.

Triste de verdade. Por conta da notícia acima.
Eles querem o que? Acabar com o nosso passado, riscar a nossa história, a história de milhares de pessoas... E de quebra deixar que outras milhares não vivenciem o que nós vivenciamos?
No ano de 2009 fui convidada pelo meu queridissimo amigo Cicero, a lecionar uma Oficina de Fotografia, naquela oficina, que conheci as melhores e as mais importantes pessoas da minha vida, naquela oficina que aprendi teatro de rua, que conheci Nelson Rodrigues, Aristoteles, Sofócles, Shakespeare, Jorge Andrade, Comédia Dell´Arte, a cuspir fogo, a subir numa perna de pau, a sonhar, a fazer grandes amigos, a chorar, a viver aqueles anos fundamentais daquele inicio e meio de adolescência...
Fiquei tão lonseada, quando recebi esse convite no ano passado, usava as salas do prédio da Rangel Pestana, para ensaiar uma peça que nunca estreiou, construir ali grandes laços, que começaram na Rua Albino Bairão, depois por motivos também de politicas públicas o prédio foi desativado, e chorei ao conhecer aquele prédio escolar sem teatro, sem praça da Rangel Pestana, cheio de escadas... Mas ok a oficina estava ali na ativa, e la no Bom retiro, a elegante e respeitada Oswald Andrade, fiz alguns bons cursos lá, o ultimo um de retráto exelente em 2008 e tenho estado lá todas as semanas com o sonho de um projeto teatral um novo projeto.
Acho que as coisas estão bem desconexas, queria escrever como o Calligaris, mas não sei, não sei se estou me fazendo entender. Só sei que falo com o coração e isso é muito doloroso para mim, quero fazer uma revolução, quero que algo aconteça, mas não sei como fazer isso, mas sei que preciso fazer.
A politica do PSDB nesse stado tem sido um câncer que só tem feito nossa moral definhar. Alguns anos que o ension da rede estadual é uma mentira, crianças que chegam na sexta série sem saber ler, professores tratados piór que lixo pelos nossos governantes, alunos e etc.Agora o nosso pequeno espaço de cultura, de propagar a arte, as idéias... querem destruir com isso. Por que?
As crianças saem da escola sem saber o basico do basico, a cultura fica inexistente,por que? Pra que? É assim que esse pais está crescendo? Onde? Tem algo muito, mas muito errado nisso tudo.
Não quero saber de escolas técnicas de arte, claro que não discordo da importância dessas escolas, e que elas tem que se multiplicarem e que já era para existirem a muito tempo. Mas meus caros, não fechando oficinas culturais. Porra, uma não substitui a outra, definitivamente não. Falo isso com a segurança, a convicção de quem s eformou dentro dessas oficinas, anos mais tarde fui fazer escola técnica, e nem de perto, vivenciei e aprendei, como nessas oficinas, lhes garanto.
Lamentavelmente triste.
O que podemos fazer? Seja lá o que for, eu vou fazer. Devo isso a cada funcionário administrativo, a cada guardinha...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

...

http://www.youtube.com/watch?v=Bkjv9SscotY&feature=player_embedded#!
A musica acima é uma das coisas mais bonitas que já foram feitas neste mundo.
Obrigada vida, obrigada mundo por existir Led Zeppelin...

Brincadeira, Choradeira pra quem vive uma vida inteira!




Ser assim é uma delícia


Desse jeito como eu sou
De outro jeito dá preguiça


Sou assim pronto e acabou
A comida de costume

Como bem e não regulo


Mas tem sempre alguns legumes


Que eu não sei como eu engulo
Brincadeira, choradeira,

Pra quem vive uma vida inteira


Mentirinha, falsidade,

Pra quem vive só pela metade
Quando alguém me desaponta


Paro tudo e dou um tempo


Dali a pouco eu me dou conta

Que ninguém é cem por cento
Seja um príncipe ou um sapo


Seja um bicho ou uma pessoa

Até mesmo um pé-de-nabo

Tem alguma coisa boa






Musica: Sandra Perez, Palavra Cantada;

Foto: Ana Terra

sexta-feira, 18 de junho de 2010

La doce vida

Insônia? Será?
Ou será que sou somente brilhante no que posso realizar das 23hs as 05 da manhã? As vezes 6, 7...
Li isso na entrevista de uma psicanalista que afirma não tomar remédios para dormir, que ela simplesmente é brilhante na madrugada.
Eu gosto da noite.
Eu gosto do silêncio
Da ausência do telefone, da campainha, dos passosa largos, da tv, dos horários apertados... Do descompromisso...
Adoro!
Achei que isso ia acabar com essas noites frias, mas é só tomar um bom banho quente, uma xicara de chá ou uma taça d evinho, tanto faz e pronto, encaro horas de trabalho, horas de silêncio, de zapeadas em blogs novos, e por ai vai...
Pronto, sou brilhante na madrugada!
ps: quando morava na paulista no Verão de 2008/09, só dormia ao amanhecer tds as noites!

Pessoas que eu amooooooo!

Foto adolescente no camping de Paraty, 2009/2010;
Praia do Pastel, Paraty,RJ;


Eu e Anita, um ano atrás, em grande foto do Julio Anderson; 2009;

Para Tim Burton Filmar


A Copa começou

E o primeiro jogo do Brasil foi no começo da semana.

Na segunda trabalhei a noite toda, para ter uma Terça Vagabunda e sem culpas.

Nadei de manhã, acordei apitando por todos os cantos da casa, dividi duas garrafas de Brahma no bar da esquina com duas pessoas. Apitei na rua com uma camiseta amarela vagabunda que ganhei naquela manhã, enchi a cesta do mercado de latinhas geladas...

As pessoas foram chegando e eu enchi o caneco, bebi tudo que podia, capotei antes das 8 da noite!

Foi assim que começou a semana! Isso depois de ir num encontro clown, altamente produtivo.

Sabe a gente trabalha pra caralho nesta casa e eu adoro meu trabalho, mas essa semana eu fiquei assim, curtindo uma ressaquinha suave de Terça até hoje, nadando e trabalhando sem neuras, madrugando algumas noites e outras indo pra cama antes da 1 da manhã...

Domingo vou trabalhar bem na hora do jogo, então foda-se a minha docê preguiça!


Mas porque estou falando tudo isso? Só pra dizer que hj a tarde larguei o computador na primeira travada que ele deu e fui ler uma entrevista de uma revista que tem mais de um mes que comprei! E acabei pegando no sono e tendo novamente os sonhos mais malucos.


Primeiro sonhei que atravessava a rua aqui de casa no inicio da noite, passava um carro ai eu ia em seguida e um onibus... Pá! Batia em mim, me matava na hora!

Acordei assustada e ouvi um som de inseto, gritei o Tchê, e achamos um Besouro Verde no quarto!

Voltei a dormir e sonhei que minha familia e um monte de amigos e gente maluca morava aqui na minha casa, e dere pente saia varios objetos do meu cabelo, bonecas, radios, liquidificadores, secadores de cabelo, coisas enormes eu tirava de dentro do meu cabelo, eu também tinha um bigode enorme, um buço peludo grudado com balas gelatinosas, eu diria um Sonho para Tim Burton Filmar!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Tenho...

Foto: Tchê Costa

Eu tenho sono
Eu tenho 11.014 arquivos fotograficos para mexer, para esmiuçar, para selecionar,
Eu tenho uma pimentinha vermelha entre dois dentes inferiores do fundo

Eu tenho uma rádio de Mpb tocando sambinhas e Raul Seixas
Eu tenho um prato sujo de bolo de chocolate e um celular carregado na mesa

Eu tenho um Croqui novo e amarelo nos pés perfumando a sala com sua essência natural de borracha.

Eu tenho saudades dos dias que ainda não chegaram
Eu tenho toalhas de banho finas
Eu tenho vontade de ser levada pelos meus sonhos absurdos
Eu tenho medo

Eu tenho um estudo de clown
Eu tenho histórias do Bom Retiro
Eu tenho uma aula para preparar

Eu tenho que nadar com esse puta frio
Tenho que tirar o esmalte azul descascado das unhas

Tenho que parar de sentir cheiros e perfumes por ai
Tenho que viajar para uma praia bem longe

Que encher a cara, que perder as estribeiras
Tenho que me acalmar

Relaxar
Ouvir
Observar
Ser ouvida
Ser observada
Calmamente
Desapressadamente

Tenho que beber devagar, dançar lentamente, correr pausadamente e trabalhar...

... hahahah

Até o sol raiar, até esses 11.014 se transformarem em uns 9.517 arquivos.
Eu tenho 69.300


sábado, 5 de junho de 2010

Casamento, Infantil, cansaço...

14hs de trabalho, Meu Deus, eu quero dormir!!!!!!!
Eu amo meu trabalho, eu me diverto a beça, principalmente em dias como o de hj, casamento que eu amooooo cobrir, festa na luz do sol, ar livre... Mas seguida de uma festa infantil, mega animada, mega legal e divertida, ambas me renderam boas fotos! Amanhã tem mais, amanhã tem mais, amanhã tem mais!
Mas cara, eu preciso dormi, ta frio e eu quero dormir!
valeu :) Pathy!
Depois de tantas reformulações na maneiara de vender e atender os clientes de casamento, finalmente fiz o primeiro do ano! Recusamos muitos casamentos e por outro lado recebemos muitos nãos de diversas noivas, é o preço! Casamento, só se for assim, adoro fazer casamentos, mas tem que abrir possibilidades e ponto.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sem Nariz

O Clown Sem Nariz

Sabe o que é um clown sem nariz? Sou eu depois de maia hora de brincadeiras na praça com nariz. Recarreguei meu bilhete único na estação e me direcionei ao ponto para ir de ônibus, seria mais confortável e me deixaria mais próxima de casa. Ai que tudooooo começou!Primeiro ouço uma buzina engraçada, era um Chevette branco parando no ponto para pegar uma estudante, e do nada a louca começa a cantar alto, “Meu carro é vermelho, não uso espelho pra me pentear”... Ai percebendo a falta de noção me protegi com fones de ouvido e boca calada.
Vi um ônibus escrito Pinheiros, em algum lugar vi escrito, Via Augusta e fui.
Menos de dois pontos, saquei que o ônibus era laranja e não azul e que estava fazendo um caminho estranho, “Moça esse ônibus vai pela Augusta?” Não, foi a sua resposta, esse vai pela Angélica ela completou. Ok me ferrei! Desci na praça da Marechal, andei apressadamente a rua que me levaria para Sta Cecília, passei duas vezes pelo ponto onde teria que pegar meu ônibus. Até parar, caia uma garoa fina e gelada anunciando alta queda da temperatura, eu achava graça até ai. Senti-me um Woody Allen, minha grana era curta para um taxi, como desejei pegar um! A pé, não dava com aquela garoa gelada e já eram 9 e 10 da noite! Um ônibus azul parou no ponto, quase todas as pessoas do ponto entraram, quando ele saiu, na plaquinha lateral li, “Brigadeiro Luiz Antônio”, corri e pedi que parasse, “ Moço passa no começo da Brigadeiro ali na Sé?”, “ Não, só depois da Paulista”, “Moço para, para, tenho que descer, não serve” O Homem bufou e parou eu agradeci e corri pro ponto, algumas poucas pessoas que estavam no ponto se entreolharam quando me viram ali novamente. Achei muita graça essa hora, e a primeira coisa que pensei foi, “Meu clown já começou, a cena já está rolando” e estava mesmo. Passaram muitos ônibus, muitos carros, alguns taxis, eu já estava com fome e muito frio. Pessoas chegavam e pessoas partiam daquele ponto, e eu ficava tão perto e tão longe de casa... A garoa parava a garoa voltava e eu lá. Tinha um prédio residencial do lado do ponto, um rapaz desceu de meias e chinelos de dedo com um grande cachorro branco de focinheiras, achei meio loucura ele sair com o cão naquela garoa, mas logo ele voltou, acho que desistiu do passeio ou só ia mesmo levar o cão para fazer um cocozinho noturno. Logo veio uma moça de cabelos lisos e saltos finos, que entrou no prédio, senti inveja! Ela estava em casa já, logo estaria nas cobertas e eu naquele ponto cheia de frio. Vieram vários, vários ônibus, o ponto ficou nu, só eu e o frio. Um cara meio jovem, meio estranho, de bengala, chegou ao ponto, me olhava muito, de um jeito estranho, neurótica pensei, “esse cara quer me roubar”, eu estava tão aflita que pensei entro no primeiro ônibus que aparecer! Minhas mãos suavam e eu de vez em quando olhava pra ver se ele não ia me surpreender, ele olhava,mudava de lugar, andava, e olhava, olhava mesmo, e nesse tempo não vinha nenhum ônibus, nenhunzinho. Ele estava de capuz.
Apareceu um ônibus, dei sinal , entrei ele também entrou, gelei! Não vi o nome do ônibus, nem sabia pra que lado iria, passei a catraca, sentei as mãos ensopadas, tentei secá-las na manga da blusa, disfarçar meu incômodo, a tempo ele havia percebido, ele se aproximou da catraca, tirou o capuz, olhou de novo, olhou mesmo, estava com medo, ele sentou la atrás, suspirei aliviada. Sem capuz era menos esquisito, era um cara bonito, bonito mesmo, na luz deu pra ver bem. Mas caras bonitos também podem te roubar poxa!
O ônibus que eu não sabia pra onde ia, passou pelo gato que ri, puxei o sinal, o rapaz ficou, desci e não olhei pra trás.
Passei por uns esquisitos, corri peguei o terceiro ônibus desci na Martins Fontes, decidida a não pegar outro ônibus, comecei a caminhar pra casa os quarteirões restantes, quando vejo o Shop Plaza Sul, aquele que esperei na Sta Cecília por mais de uma hora! Foi ai que peguei o quarto e ultimo ônibus da noite! Cheguei em casa as 22:40horas do dia 31 de Maio.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Voltamos, cheios de sonhos!


Primeiro Experimento Clown 2010

A Gente finalizou o nosso bate papo ali no vão livre entre as salas da oficina cultural, a idéia era ir para Praça Fazer graça, fazer onda, fazer nada... Passar dez minutos naquela Praça larga extensa na noite fria de Maio. Seguimos até lá, depois cada um seguiria para sua casa.
Estávamos todos com frio, e quase passamos direto pra estação. Mas alguém se lembrou do exercício e paramos cada um de um canto, iniciou sua loucura, seu desnudar...
Eu? Eu parei no meio da praça, morta de frio com um saco pequeno de salgadinho japonês, com alguns poucos salgadinhos restante no saco. A idéia era fazer algo ali na praça, criar, ou só observar, sentir suas impressões e ir embora.
Parada com o saco na mão, eu só conseguia sentir frio e me distrair com os restos de salgadinhos, minha pele gelada, o vento gelado... De longe via minha companheira Zabê, pirando, pulando, não me sentia tão motivada, pensei que ela estava disposta a despachar o frio, mas eu não conseguia me mexer muito, estava mesmo virando picolé.
Ai de repente me vi dentro de um filme, e comecei a comer cada naco de salgadinho com atenção.No meio do caminho da praça, fiquei parada e comi cada naco de salgadinho loucamente, com desejo e loucura, degustando cada pedaço de milho, quando acabou, chupei dedo a dedo suave e brutalmente, depois andei pela praça não muito, passos curtos de frio e meu pensamento naquele momento era olhar o entorno da praça e vê a Policia, o Batalhão onde sai a Cavalaria da Policia Militar, fiquei olhando e pensando, “Cadê os cavalos?” Andava para um lado para o outro e pensava quando eu vou poder finalmente ver os cavalos, quando os cavalos chegarem poderei seguir com eles para onde eu quiser, para onde eles me levarem.
Mas os cavalos não apareciam nada deles, filhos da mãe, pensei. Observei que estava sendo observada por um militar, olhei pra ele e ele estava fumando, militares em serviço não podem fumar, militares não podem fazer muitas coisas quando estão em serviço, mas eles fazem, primeiro senti uma repulsa por aquele homem fardado e armado na entrada do Batalhão, depois senti pena, estávamos nós dois ali naquela praça fria e gelada, mas ele fumar já era uma contraversão, e eu podia pular, podia gritar, dar cambalhotas, o que quisesse... Ao me dar conta do poder que tinha nas mãos, me senti tão, mais tão livre! Logo achei uma arvore e sentei aos seus pés, comecei a brincar com o saco de salgadinhos vazio, comecei a soprar pra encher o saco, e mais uma vez o militar me olhou, filho da mãe pensei, deve estar achando que estou cheirando cola. Já pensou se ele vem aqui verificar? Incomodei-me. Deixei o saco cheio e comecei a fazer uma flor, com a flor pronta, me senti uma princesa encantada, caminhando suave pela praça, quando decidi soltar os cabelos, enfiar a cabeça no meio das pernas e ver a praça, de ponta cabeça, foi ótimo, foi engraçado, pensei em fazer varias fotos assim, com tudo ao contrário, depois visitei uma lata de lixo, descabelada, depois brinquei com os cabelos, vi uma moça rindo ao passar, ela também era engraçada, ela estava com uma guarda chuva daqueles grandes pendurados no capuz do seu casaco, eu também ri. Foi ai, que olhei para cada um que passava por mim, nesta hora acho que já estava com o nariz, coloquei o nariz na hora que pensei que o militar pudesse achar que eu tivesse cheirando cola, melhor ele vê logo quem eu era! Algumas pessoas aceleravam o passo ao meu ver jogando os cabelos com um nariz vermelho no rosto, outros sorriam pra dentro, algumas olhavam. Uma hora quis prender os cabelos e me dei conta que havia perdido meu prendedor, brinquei com aquilo, vasculhei a bolsas, os bolsos, os punhos e as barras da minha roupa, interagi rapidamente com dois companheiros, não achamos. Foi quando a voz saiu, “Perdi”, Perdi, eu perdi.
Comecei a interagir com os transeuntes da praça e repetia a palavra Perdi que logo foi trocada por, “Vou achar”, e cenicamente e obcecada, não é que acabei achando.
Para mim, aquela era a hora de acabar. Mas segui brincando, já com muito menos frio. No meio daquele frio, comecei a rasgar a flor de papel, dessamarei um clown, e pensava em Tóquio, em como é grande e como deve fazer frio no Outono japonês. Imaginei que estava em Tóquio, mas na minha cabeça só vinha à palavra Xangai, e Xangai está na China, absolutamente nada haver. Perguntei pra os transeuntes qual era a capital do Japão, foi quando cheguei a Tóquio. Até que naturalmente acabamos todos nossos experimentos e seguimos para casa.