
Primeiro Experimento Clown 2010
A Gente finalizou o nosso bate papo ali no vão livre entre as salas da oficina cultural, a idéia era ir para Praça Fazer graça, fazer onda, fazer nada... Passar dez minutos naquela Praça larga extensa na noite fria de Maio. Seguimos até lá, depois cada um seguiria para sua casa.
Estávamos todos com frio, e quase passamos direto pra estação. Mas alguém se lembrou do exercício e paramos cada um de um canto, iniciou sua loucura, seu desnudar...
Eu? Eu parei no meio da praça, morta de frio com um saco pequeno de salgadinho japonês, com alguns poucos salgadinhos restante no saco. A idéia era fazer algo ali na praça, criar, ou só observar, sentir suas impressões e ir embora.
Parada com o saco na mão, eu só conseguia sentir frio e me distrair com os restos de salgadinhos, minha pele gelada, o vento gelado... De longe via minha companheira Zabê, pirando, pulando, não me sentia tão motivada, pensei que ela estava disposta a despachar o frio, mas eu não conseguia me mexer muito, estava mesmo virando picolé.
Ai de repente me vi dentro de um filme, e comecei a comer cada naco de salgadinho com atenção.No meio do caminho da praça, fiquei parada e comi cada naco de salgadinho loucamente, com desejo e loucura, degustando cada pedaço de milho, quando acabou, chupei dedo a dedo suave e brutalmente, depois andei pela praça não muito, passos curtos de frio e meu pensamento naquele momento era olhar o entorno da praça e vê a Policia, o Batalhão onde sai a Cavalaria da Policia Militar, fiquei olhando e pensando, “Cadê os cavalos?” Andava para um lado para o outro e pensava quando eu vou poder finalmente ver os cavalos, quando os cavalos chegarem poderei seguir com eles para onde eu quiser, para onde eles me levarem.
Mas os cavalos não apareciam nada deles, filhos da mãe, pensei. Observei que estava sendo observada por um militar, olhei pra ele e ele estava fumando, militares em serviço não podem fumar, militares não podem fazer muitas coisas quando estão em serviço, mas eles fazem, primeiro senti uma repulsa por aquele homem fardado e armado na entrada do Batalhão, depois senti pena, estávamos nós dois ali naquela praça fria e gelada, mas ele fumar já era uma contraversão, e eu podia pular, podia gritar, dar cambalhotas, o que quisesse... Ao me dar conta do poder que tinha nas mãos, me senti tão, mais tão livre! Logo achei uma arvore e sentei aos seus pés, comecei a brincar com o saco de salgadinhos vazio, comecei a soprar pra encher o saco, e mais uma vez o militar me olhou, filho da mãe pensei, deve estar achando que estou cheirando cola. Já pensou se ele vem aqui verificar? Incomodei-me. Deixei o saco cheio e comecei a fazer uma flor, com a flor pronta, me senti uma princesa encantada, caminhando suave pela praça, quando decidi soltar os cabelos, enfiar a cabeça no meio das pernas e ver a praça, de ponta cabeça, foi ótimo, foi engraçado, pensei em fazer varias fotos assim, com tudo ao contrário, depois visitei uma lata de lixo, descabelada, depois brinquei com os cabelos, vi uma moça rindo ao passar, ela também era engraçada, ela estava com uma guarda chuva daqueles grandes pendurados no capuz do seu casaco, eu também ri. Foi ai, que olhei para cada um que passava por mim, nesta hora acho que já estava com o nariz, coloquei o nariz na hora que pensei que o militar pudesse achar que eu tivesse cheirando cola, melhor ele vê logo quem eu era! Algumas pessoas aceleravam o passo ao meu ver jogando os cabelos com um nariz vermelho no rosto, outros sorriam pra dentro, algumas olhavam. Uma hora quis prender os cabelos e me dei conta que havia perdido meu prendedor, brinquei com aquilo, vasculhei a bolsas, os bolsos, os punhos e as barras da minha roupa, interagi rapidamente com dois companheiros, não achamos. Foi quando a voz saiu, “Perdi”, Perdi, eu perdi.
Comecei a interagir com os transeuntes da praça e repetia a palavra Perdi que logo foi trocada por, “Vou achar”, e cenicamente e obcecada, não é que acabei achando.
Para mim, aquela era a hora de acabar. Mas segui brincando, já com muito menos frio. No meio daquele frio, comecei a rasgar a flor de papel, dessamarei um clown, e pensava em Tóquio, em como é grande e como deve fazer frio no Outono japonês. Imaginei que estava em Tóquio, mas na minha cabeça só vinha à palavra Xangai, e Xangai está na China, absolutamente nada haver. Perguntei pra os transeuntes qual era a capital do Japão, foi quando cheguei a Tóquio. Até que naturalmente acabamos todos nossos experimentos e seguimos para casa.