A Janela desabou
A Diarista desajeitada, se apoiou, puxou, forçou a abertura para o lado errado, sei lá.
Começou a gritar por ajuda, os meninos, eu, todos corremos, e lá estava ela, a Janela.
Sim, a janela. Metade da estrutura fora da parede, apoiada nos braços pequenos da Diarista.
A Parede esburacada, pedaços de concreto com tinta esfarelados no chão...
O lado esquerdo da Janela, bonito e intacto na parede, moral da história, Janela desabada no chão, desmontada, cerca de 32 kilos cada vidro, estruturas, vidros apoiados, espalhados no meu quarto, janela com pregos, botões jogados, vão vazado, para entrar um pouco mais de frio, como se o que está fazendo aqui já não fosse o bastante.
Buracos na parede, pintura descascada, frio...
Bosta!
Cheiro forte de bosta, mas da onde?
Rastros de bosta pisada no piso branco do banheiro
barra da calça cheia de bosta
Achei um monte de bosta na sala de jantar.
Como assim, da onde?
Vertigem? Drogas? Estado psicodélico?
Verdade, mentira?
Loucura
Sera que é um icone de loucura?
Um filme de terror?
Limpei a bosta do banheiro, do quarto, joguei a calça na maquina, mas joguei jornal na bosta da sala, mais alguém devia ver aquela bosta, não, eu não podia estar maluca.
Não ia limpar aquilo até mostrar para alguém.
Mostrei
A Bosta de fato estava lá.
Pelo menos não estava louca
Pensei, que talvez fosse melhor estar louca
Nesse caso a loucura seria mais lógica, do que a realidade da bosta.
Examinamos os sapatos, cacei cães, ratos e gatos pelo apartamento, não achei nenhum
Um dos meninos, cogitou a possibilidade de um gato ter entrado e feito a obra de arte.
Mas era improvavel
Só se fosse um gato ninja, voador.
Janela desabada, cadeira quebrada, bosta misteriosa...
Um telefone
Uma explosão
Um desabafo
Numa respiração
Uma dor no peito
A Catarse
O medo, os ícones espalhados, os sonhos com ratos,
O que querem dizer?
Uma confusão surrealista


