Vamos, vou levá-la ao vento, Vou levá-la acima das pessoas, E eu quero que você se lembre, Nosso amor é eterno E não artificial
Eu quero que você se coloque denovo a frente, Que você esteja a ali de tempo em tempo E eu quero que você se lembre, Nosso amor é eterno E não artificial
Eu quero que você me chame mais vezes, Que algumas vezes tome a liderança, E eu quero que você se lembre, Nosso amor é eterno E não artificial
Eu quero que você seja aquela que eu ouço, Vamos, vou levá-la acima das pessoas E eu quero que você se lembre, Nosso caso de amor eterno ... artificial
Eu quero que você se coloque denovo a frente, Que você esteja a ali de tempo em tempo E eu quero que você se lembre Nosso amor é eterno E não artificial (6X)
Subia aquela longa e larga avenida com meus passos largos, expurgando a raiva, o cansaço... Eram umas 7 e pouco da noite desta terça quente de fim de Outono, meus passos desaceleraram quando vi aquela faixa de ónibus isolada, carros da Cet e dos Bombeiros sinalizava maus ventos, havia um corpo estirado no chão, coberto, com braços cor ocre escapando do pano. Um corpo! Desacelerei os passos mais uma vez e na minha tontice humana, ouvi um soldado dizer: " O nome da vitima é José Marinho da Silva, 35 anos" Tonta, segui meu caminho até Avenida Paulista, pensando sobre aquele corpo caído, sobre a efemeridade das coisas, a passagem de nós... Sei lá!..
" não, não vá embora... vou morrer de saudades, não não vá embora..."
Entre tantas versões dessa musica do Tim Maia no youtube, achei que essa é a que melhor exprime esse espirito jovem, esse espirito bêbado, embargado de saudades, de sonhos...
Essa empolgação, a euforia de noites extasiantes, de longas conversas, de reflexão...
Com esse belo de filme do mestre do cinema italiano, Frederico Fellini, que parece que o cine Belas Artes fez sua ultima exibição na noite de hoje.
Essa novela está rolando faz tempo. Faz tempo que o André, dono do cinema junto de uma população envolvida com aquele espaço estão lutando para deixar o cinema de portas abertas, mas parece que não conseguimos, e mais um cinema se fecha...
))):
Mais um cinema de rua que fecha suas portas, um cinema de seis salas, com uma programação sempre muito convidativa.
Eu fico triste, é lamentável.
Mas talvez isso seja uma tendência? Um rapaz jovenzinho que trabalha comigo, disse que nunca foi a um cinema de rua, achei meio estranho!
Talvez a vida dele seja somente cinema dentro de Shoppings, sei la.
Em contrapartida, minha sogra já contou que tinha cinema do lado da casa dela na infância, em uma rua qualquer do bairro do Carrão.
E já alguns anos que não existem cinemas nos bairros, muitos dos centros fecharam.
Para a tristeza de nós, pobres amantes do cinema, pobres amantes da tela gigante tão perto da agitação da rua.
Falando em agitação da rua, me recordo de sair daquela confusão da Paulista, me enfiar em uma das salas do Belas Artes, e em pouco tempo ser absorvida por um de seus tantos filmes exibidos ali, ali naquela esquina da Consolação.
Não me lembro quantos filmes eu vi ali, não me lembro ao certo com quais pessoas eu estive ali, não me lembro todas as pessoas que fui, me lembro de muitas vezes ir sozinha.
Lembro de marcar com uma amiga, lembro de filmes que nunca entraram em cartaz em outras salas, que não saiu em video, lembro dos clássicos que chegaram a mim através das suas telas.
Lembro de ter ido em 02 Noitões!
Lembro de ter chorado copiosamente assistindo pela primeira vez, " Estrada da Vida", também do Fellini.
Lembro também de ver filmes péssimos
Lembro de quando acabou a energia eletrica e sai sem ver o filme.
Vai ser feio, passar em frente aquele espaço e ve-lo abandonado, ou ve-lo transformado em outra coisa qualquer.
São Paulo não gosta muito dessa coisa de preservar a memória né?
Lembro quando a Oficina Cultural Mazzaropi mudou de prédio,
Lembro d eum amigo contar que o antigo prédio havia se tornado um estacionamento, um galpão, coisa qualquer que o valha...
Sei que não quis e evitei o quanto pude passar em frente, preferia acreditar que a oficina estaria sempre ali.
Sabe o que eu acho?
O que nós vamos contar para os nossos netos, filhos mesmo?
"Olha eu estudei teatro aqui, hoje é uma padaria, mas há 40 anos...."
"Aqui que assisti pela primeira vez um filme de Fellini" - " Mas vovó isso é uma gráfica..."
O Cine Ipiranga, na Avenida Ipiranga fechou ainda na decada de 90, hj está abandonado, as traças, não tem uma vez que pise na sua calçada, que não me venha vários filmes que vi ali na cabeça, e uma parte gostosa da minha adolescência!
Sera que sou uma romântica?
Uma parte de mim vai com o Belas Artes
Uma parte de muitas pessoas, tenho certeza.
Ouço Nino Rota e só consigo me lembrar do filme, "Cinema Paradiso"
E me da um aperto
Uma vontade de sentar numa daquelas salas de projeção e gritar
Estou encantada com cada um dos professores que fui agraciada nesse primeiro semestre, espero que siga assim.
Estou enlouquecida de estudar tão perto daquele cinema, quase dentro do cinema,
já aconteceu duas semanas seguidas sair alguns minutos mais cedo para apreciar um filminho!
Já não posso dizer o mesmo dos meus colegas de classe, há um mês espero por um milagre!
Uma cervejada para começar já estava bom.
Pouca massa cinzenta, saca?
Sinto falta de alguns bons amigos, desses amigos bobos que somem, com alguns sonho quase todas as noites.
Cada vez fico mais criteriosa com as pessoas.
A vida é curta, os dias passam muito rápidos, para passar o tempo com quem pouco me acrescenta, pouco me faz feliz.
Lamento que seja assim, mas não estou disposta a tomar a iniciativa.
Porque sempre sou eu que tenho que tomar a iniciativa?
Tem um mês que não falo com algumas pessoas, esses dias pensei em discar o numero de telefone, mas lembro do quanto fiquei magoada e devastada com certas coisas... A Vontade de ligar evapora!
Sabe o que é fóda?
É tomar a iniciativa quando se sabe que está certo.
Os dias passam,
Eu pinto as unhas de vermelho e corto os cabelos
Doors toca no meu rádio
Leio história da Arte
Os dias passam
As unhas descascam o velho esmalte roxo
O Cabelo longo sem vida, bate nos ombros
Uma diarista dedicada da um trato na minha casa
Eu faço bolo de chocolate enquanto a chuva cai melancólica la fora.
Eu tenho duas pessoas fabulosas ao meu lado
Eu penso em outras tres que não vejo e não falo algum tempo.
Tem um troço que está rolando na Tv Cultura, todas as noites, filmes da Mostra Internacional de Cinema.
É um negócio muito legal, poder ver filmes que a gente perdeu na Mostra e rever outros, que a gente já nem lembrava mais.
Todas as noites as 22horas, desde que soube estou acompanhando, mas sempre vejo a partir da parte 4 já chegando ao final, pelo horário que chego em casa, mas ontem tive a oportunidade de ver desde o inicio.
Interrompi meu trabalho, compartilhamos a garrafa de vinho tinto, para assistir o famoso "Como eu festejei o fim do Mundo",
Acho esse um otimo nome para um filme, achei que seria um otimo filme também. Mas o filme é um pouco arrastado e termina daquele jeito sem explicação que alguns filmes terminam, mas sem te dar muita margem para imaginar o que aconteceu depois, que fim levaram aqueles personagens.
Sei lá, o cara estava com um argumento excelente( trata-se do fim da Ditadura da Roménia), bolou um titulo incrível, mas fez um filme sem muito entusiasmo, que não faz a gente sentir aquela reflexão de fim de filme profundo, que um filme como esse poderia ter deixado. Talvez tenha faltado tempo para finalizarem o filme, não sei. Fraquinho!
Isso é o mais legal dessa Mostra da Cultura, é saber que não gastei o precioso tempo de Mostra para ver esse filme, que não é legal.
Mostra tem dessas coisas, esse seria um filme que com certeza teria me programado para ver.
Vai fazer quatro semanas que ela não disca aquele número
Vai fazer quatro semanas que ela não fala com ninguém do lado de lá.
Vai fazer quatro semanas que ninguém liga para saber algo sobre ela.
Vai fazer quatro semanas que ela não quer ligar
A primeira semana foi péssima, a segunda foi boa, a terceira ela já nem lembrava mais do rosto deles, essa quase quarta semana, ela pensa em tomar alguma atitude, mas os dias são corridos o bastante, existem muitos livros para serem lidos, muitos filmes para assistir, muito trabalho para cumprir, não da tempo, sempre fica tarde! Ontem já passava das dez, hoje já passa das nove...
Talvez ela tenha o mesmo problema, talvez esteja fazendo muitas compras, lavando muitos panos de prato, chorando muito nas noites de verão, sorrindo para todos no shopping center aos sábados a tarde... Também nunca da tempo para ela, é bem possível.
Afinal as pessoas não tem tempo, nunca tem.
Algumas não tem para esse negócio de relação pessoal, bobagem! Tanta coisa para fazer, imagina!
Se ela ao menos tivesse MSN, mas ela não está conectada, muito provavelmente nunca irá ler esse post, a menos que imprima e envie pelo correio enfiado num envelope pardo.
Não vou enviar, preguiça, não da tempo.
A magoa passou, a minha passou, a dela eu não sei. É mais rancorosa que eu, sempre foi, muito mais. Uma pena.
Uma grande bobagem na verdade esse negócio de alimentar magoa por muito tempo, um câncer.
Apesar da magoa ter passado, a saudade é pequena.
Existe, evidente, mas é pequena. Não sei o lado dela, não posso avaliar.
O que me incomoda é não saber como ela está, porque a amo, e penso nela, espero que esteja bem. Deve estar. Fora a magoa, o rancor, a inveja, a saudade... enfim deve estar bem, absolutamente.
Pelo menos, é isso que eu desejo que ela esteja bem, feliz até.
A outra aproximou-se, sozinha, e ele perguntou pela amiga. Não havia. Não tinha podido vir
O RAPAZ convidou as duas amigas. Para que o visitassem na cidade do Porto, sua terra natal. Um dia, uma tarde. Elas agradeceram o convite e prometeram pensar no assunto. Ele entrou no carro, partiu e, enquanto cruzava as ruas de Lisboa, pedia a todos os santos para que só uma delas fosse ao seu encontro. Recriminou-se mentalmente por ter feito um convite duplo quando era a mais nova, a mais bonita, que ele desejava receber. Mas não tivera outra oportunidade e, perdido por dez, perdido por mil: para receber uma, teria que receber as duas. Era um começo. Na semana seguinte, chegou a mensagem: iriam ambas, sim, em dia a combinar. Ele leu. Releu. Respondeu: que estaria à espera na estação de trem; que iriam almoçar, conhecer a cidade, beber e, com sorte, talvez a outra se cansasse de ser a outra e preferisse ficar no hotel. No amor e na guerra não há pensamentos nobres. Ou qualquer coisa assim. Chegou o dia. Chegou o trem. Ele já estava na estação, junto à linha, encostado a um dos pilares. Saíram os primeiros passageiros, cabeças indistintas sob uma chuva outonal. Ao fundo, vislumbrou a outra. Acenou. Recebeu um aceno de volta. Ninguém mais acenou. A outra aproximou-se, sozinha, e ele perguntou pela amiga. Não havia amiga. Não tinha podido vir, disse-lhe a outra, razões pessoais, familiares, sentimentais, ele já nem escutava. Com gentileza mecânica, pegou na sacola da outra, disse uma frase clichê ("Muito bem, estamos nós aqui, vamos aproveitar.") e arrastou-a para fora da estação. Entraram no carro. Ele silencioso e a outra a preencher o silêncio com conversa banal. Começaram o passeio. Ele começou a debitar informações turísticas como se fosse um guia turístico: aqui, um monumento; ali, uma igreja; mais ao fundo, um jardim, um museu, uma livraria. Entraram na livraria. A outra demorou-se pelas estantes. Ele ficou junto à entrada, a olhar para o relógio, a contar os minutos para que a noite viesse e a outra se fosse. Caminharam pelas ruas da baixa. A outra fazia perguntas que ele só respondia à segunda vez, quando realmente as escutava. Por vezes, apercebia-se que a outra ficava para trás -um metro, dois- porque ele caminhava demasiado depressa. Então, ele parava, esperava, e retomavam a marcha até que nova distância se instalasse entre os dois. Foi nas margens do rio que a outra resolveu parar. Ele perguntou se ela estava cansada. A outra sorriu com ironia e respondeu: "Podes dizer que sim". Ele gelou. Desconversou: que poderiam sentar-se na esplanada, descansar, tomar um café. A outra preferiu sentar-se no cais e tirar um cigarro do bolso. Acendeu-o. Pausa longa. E depois disse-lhe: "Quero apenas que me leves à estação, por favor". Ele gelou novamente. E desconversou novamente: que se passava, perguntou, acontecera alguma coisa? Ele fizera alguma coisa? A outra recusou-se a comentar o óbvio. Olhou-o apenas com desprezo e murmurou: "É pena que não tenhas reparado que fui eu quem veio ter contigo". Ele olhou para ela pela primeira vez naquela tarde, pela primeira vez em todas as tardes, como se a frase o tivesse despertado. Havia uma presença real ao lado dele; uma presença discreta, e também por isso discretamente bela, que fumava às pressas para não chorar. Ele sentia vergonha e nada disse. E também ternura e também desejo. A outra levantou-se e, sem esperar por ele, caminhou para o carro. Ele seguiu-a -um metro, dois metros atrás dela.
O trem partiu às sete da noite. E, ainda hoje, nos jantares de amigos, ela gosta de contar a história de como o idiota do rapaz lhe disse um adeus mudo na plataforma da estação. E de como ele lhe voltou a aparecer de repente na carruagem onde ela seguia sozinha, de volta. E de como se sentou ao lado dela. E de como se preparava para falar. E de como ela o impediu de dizer uma palavra que fosse, encostando os seus lábios aos lábios dele. E de como os outros passageiros se riram daquela cena patética. E de como se riram ainda mais quando o revisor surgiu minutos depois e o idiota do rapaz não tinha bilhete para apresentar. jpcoutinho@folha.com.br