domingo, 26 de fevereiro de 2012

Olhos tristes

Eu estava com muita vontade de visita-lo
Está chovendo agora, acabo de colocar meus pés coloridos em casa e a chuva cai.
Acredito que a chuva seja sinal de coisas boas, coisas prósperas, acredito que ele vai melhorar.


Eu senti uma coisa boa, uma coisa boa naquele lixo todo, naquele fim de poço.
E agora lá fora a chuva cai.
Cai densa, poética enquanto ouço um blues do "Bebados e Habilidosos"
Chuva é sinal de coisas boas e o que vem por ai são rosas!


Estava ansiosa, com medo,  não sei bem o que esperava por nós, mas o Tchê me  encorajou e lá fomos nós. Ele atendeu surpreso, não esperava a visita no fim de Domingo.


Os olhos eram tristes
O abraço foi dos mais longos e demorados como antigamente.
Oferecemos a cerveja e a conversa.


Ele sabe que surtou, ele sabe que jogou merda no ventilador.
Ele sabe que causou sofrimento para todos os lados  e que está colhendo os frutos secos e podres
desse plantio de loucura.


Chove, chove forte.
Perguntamos como podiamos ajuda-lo ele disse que com uns freelas


Eu falava, eu aconselhava, ele ouvia ele olhava nos meus olhos e ouvia.
Ele lembrava história engraçadas, uma maneira sutil de fugir da realidade
O Tchê comia espetinhos e  observava tudo.




Ele está triste, sozinho.
Carente.
Nos acompanhou até o carro, talvez na expectativa de um convite, 
um convite que não rolou.


Ele fumou um cigarro atrás do outro
Ele está magro com cara de mais velho.
Insisti pra ele ir atrás da psicóloga.


Ele disse:
"Eu surtei"
Eu disse, "Todo mundo"


Fico poliana ouvindo essa densa tempestade de verão que cai pelas minhas janelas...




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