Não dormir
Espinha grande na ponta direita do nariz
Sensação de ferros dentro das narinas.
Acordar as 3, achando que são seis.
Sentir o frio subir pelas canelas
A Duvida
Pegar o taxi, contar histórias
Andar devagar pelas ruas pouco movimentadas e nubladas de primavera
do centro da cidade
Sentir o terrível incómodo da alergia infinitamente
Limpar a poeira preta da mesa, lustrar os moveis para amenizar
Nadar com maiô largo, desforme, boiando na agua quente
nadar, nadar, desligar do mundo daqui e só nadar
Respirar, girar, contrair, soltar o ar....
27 de Setembro, ouvir Bethania no meio da tarde,
Sentir o sabor da infância tão doce na boca, na memória como se fosse meus 07 ou 10 anos
na casa da minha animada e ludica Vô Terezinha, na sua grande Festa para Cosme e Damião.
Deixando a mesa, cheia de doces de todos os tipos, enchendo o sitio de crianças, uma alegria sem fim!
Os santos guardados no armário da cozinha com o pratinho de doces reservados, as velas.
Tão forte essa imagem na minha memória, tão bonito.
Eu perguntando pra ela, porque aqueles doces ali no armário, e as formigas?
e a vela não podia ser perigoso?
E ela delicadamente me contando que os doces eram para os meninos, para agradece-los a saúde de todas as crianças. Todas as crianças vó? Todas, todas as crianças do mundo inteiro. Eles são crianças santas que protegem e olham por todas as crianças!
São mágicos? São santos. Bons meninos, obedientes.
Eu fingia que entendia sem entender, para devorar mais uma Maria mole ou um pé de moleque, eu me encantava com suas historias, com a maneira que elas me eram contadas pela vó. Ela tinha a sabedoria de destacar algumas palavras, soltar umas exclamações para segurar a nossa inquietação infantil, para acalmar nossos ouvidos, com tanta poesia, transformando as coisas quotidianas em histórias que carrego no coração para a vida toda!
Trabalho agora, sonhando com uma cachoeira de doces e o sorriso doce daquela vó...

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