No meio de uma tarde alegre, uma tarde vinda de uma manhã feliz!
Uma manhã, onde esbravejou varias verdade
s, onde pontuou e argumentou cada ponto de vista
em um esbravejamento de 01 hora em uma sala abafada sem janelas, com um ar condicionado tosco.
Ela bateu a massa de chocolate com ovos e leite, até ficar macia. O que aconteceu em instantes.
Ela desceu a rua da Consolação com a levez
a de uma manhã de Primavera, entre grafites coloridos, carros com escapamentos furados, barulho estridente de automóveis e histórias de uma infância puxada pelas suas mãos.
Não tinha assadeira adequada para assar o
bolo, se embruteceu, ficou nervosa, guardou a panela com a massa macia de chocolate na geladeira e retornou ao trabalho!
Parou em frente a lojinha esquisita de sapatos da Consolação, olhou os sapatos, achou curioso, olhou mais entrou.
E Viu os Sapatos Vermelhos!
Vermelhos coloridos, com flores, com fitinhas.
Provou uns 04 tamanhos, embaralho-ous, e comprou!
Por fim, pouco antes de sair, lavou a louça, colocou a massa macia de chocolate em uma assadeira inapropriada e pôs o bolo para assar.
Comprou revistas e brinquedinhos de coleção com a criança que a puxava para as bancas.
Na verdade, só olhou, a criança tinha um dinheiro que ela não sabe de quem ganhou.
Nadou nadou, varias pernadas, varias braçadas.
Borboleteou!
Ela borboleteou literalmente!
Que delicia, quantas vezes 05? 06? 12?...
Sapatos vermelhos com fitas coloridas, Nado Borboleta, foi mesmo uma manhã Feliz!
Aula incrível de história da Fotografia, da imagem, referências, paixão.
Sanduíche, agua, sapato vermelhos machucando os pés. Mas enfeitando-os.
Cheiro forte de gordura, de oleo, fritura, impregnado em toda parte.
Vontade de vomitar.
Abrir todas as janelas, apagar todas as lâmpadas acessas, desligar a tv, ouvir Chopin, Fazer um Brigadeiro para cobrir aquele Bolo ressecad
o, de fundo queimado, seco, quebradiço como um cabelo mau cuidado, proteger o que restou dele, das formigas ouriçadas.
Rapar o brigadeiro do prato redondo, achar enjoativo e deixar de canto.
Ouvir Chopin, sentir o vento frio que entra pela janela arrepiar os braços, comparar a cor das capas de almofadas lavadas, com o forro do sofá de 02 anos...


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