terça-feira, 15 de março de 2011

Casa Vazia


Está tão cansada que até dói
Andava pela rua com os cabelos desgrenhados, saídos de um corte mau feito e inacabado.
Na grande avenida caia uma garoa fria, anunciando o fim do verão, gelando seu nariz e piorando o estado caótico dos seus cabelos.
Pés doloridos dentro do tenis velho de pano caminha em passos largos até a parada de onibus
Mais dor nos ossos.

Vulnerável, desfila pela praça em passos largos com sua mochila vermelha
Sente-se tão frágil, não sabe-se se pelo cansaço
se pelas 30 chegadas de crow, se pelos 6 quilómetros, se pelo onibus errado...

Só ela é capaz de pegar onibus errado na esquina de casa!

Abandono
Morte
Saudade
Despedida
Descaso
Um pouco mais de abandono...

Saudades de quem já partiu
Saudades de quem ainda vai
Saudades de alguma tarde preguiçosa de quinta feira
Saudade dos peitos ainda pequenos e dos infinitos sonhos


Os dias são cada vez mais curtos
as horas passam cada vez mais rápido
Ela ve uma vidraça quebrada
pensa em sangue
sente o cheiro...

A Casa está vazia
Está cheia de gente todos os dias,
mas não sabe... sei lá
Tão vazia...

Tem coisa profundamente belas ali dentro
e ela sabe disso, é grata a isso, feliz até.

Mas os ossos doem
E a chuva la fóra é tão bonita que.


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