Ela sorria e via o ceu azul com sol estonteante
Ela dançava enquanto contava da sua viagem mágica
Ela ouvia musicas velhas
Ela achou um anel esquecido no meio dos pacotes de carne morta
Ela enfiou o anel no dedo, que lhe calçou feito uma luva.
Ela achou graça
Ela levou a sério, sem levar ao certo.
O Tempo fechou e de repente as cores sumiram e tudo ficou nebuloso demais
A onde aquelas cores fortes haviam ido?
Para onde?
E por que elas haviam de ir assim, tão de repente, tão sorrateiramente...
Cores desbotadas
Foi assim, naquela noite de Quinta Feira que as cores desbotaram
e ela não queria mais brincar...
Ela sabia
Ela sabia
Ela sabia
Mas ela não esperava
Sabia, preferindo acreditar que não sabia, sabe?...
Ela passou a noite chorando
Desbotada
Tirou o anel e não queria mais brincar
Passeou no parque, e lá estavam as cores novamente
Ofuscantes
Ceu azul e muitas cores
Repensou e quis usar aquele anel velho, descascado.
Ela sabia o peso daquele anel
Ela sabia o que provocara aquele anel
Ela queria brincar de novo
Dançar a dança das fitas, pular corda na rua...
Imaginas vestidos esvoazantes,
Cor de rosa
chiclete
Balões
Amigos
poesia, sorvete com coca cola...
Mas as cores insistiam em desbotar
E desbotaram
Ela tentou evitar
Ela tentou impedir
Mas estava tudo desbotado, tudo demasiadamente manchado, amarrotado
sem nenhum cor de rosa, nem coca cola com sorvete, nada.
Ela se sentiu mais solitaria que prostituta com catapora em dia de chuva
Ela...
Um trapinho desbotado, amarrotado, esquecido...
perdido no chão...

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