sábado, 15 de outubro de 2011

Sonhei com você



Se o cineasta Tim Burton pudesse entrar na minha cabeça e filmar as coisas com que sonhei hoje, eu nem sei o que daria, mas no mínimo um média metragem.

Ontem chovia e o dia passou devagar quase parando, tinha ingressos para assistir uma peça de teatro cara e disputada. Mas era arrebatada por uma vontade de me jogar no sofá ou de ir logo para o teatro, mas ainda eram 2 da tarde!
Leon Cakof morreu nesta sexta feira.
Fui invadida por uma tristeza que arrepiou por dentro. Pensei muito no artigo que ele escreveu um tempinho atrás na Ilustríssima, pensei muito na Mostra, em cinema e como um cara desses está tão associado a pessoa que sou, indiretamente ou não.

A tarde se arrastava, até ficar sabendo que tirei 2.0 numa prova importante e que tinha convicção que tiraria um 6.0, até um 7.0
Fiquei decepcionada comigo mesma, me senti uma besta sem fim.
Mas faz parte

Fomos ao teatro, (finalmente) e valeu cada real por cada segundo da respiração daquela diva, daquela senhora atriz sentada naquela cadeira.
Fernanda é linda.
Vc já viu Fernanda em cena? Já ouviu sua dicção ao vivo e seus gestos calculados interpretando a grande Simone Beauvoir?
O texto, a vida, as histórias de Simone com Satre, a beleza que Fernanda contava para a platéia era incrível.
Não me mexia, segurava a tosse seca da alergia, para não perder um milésimo de segundo do que ela falava.
Foi lindo!

A noite comi pipoca, sanduíche, caramelo, não bebi não fumei nada, olhei para o meu Satre e desejei ter uma vida como a de Simone.
Pensei em você, pensei muito em você.
Dormi depois de ver um filme quase infantil na tv, depois de fazer xixi, depois de afagar a Ramona.
E sonhei.

Sonhei tanto, tantas histórias entrelaçadas, desconexas.
Sonhei que precisava me mudar, e seguia o ex sindico do meu prédio, parecia que ele tinha a melhor solução do mundo, era na Marechal Deodoro o novo apartamento, eu seguia ele pelo Minhocão com muitas bolsas e sacolas, o Logan estava junto e era mais novo do que é agora, a mulher do sindico tinha um cabelo bem enrolado era mulata, não era a mulher dele, minha vizinha que conheço.
Subíamos um elevador panorâmico de vidro, dava para ver a cidade toda, o Logan estava bem loiro agarrava nas minhas pernas, e eu pensava ainda bem que o Tchê não está aqui, é tão alto!

Era um apartamento branco muito grande, com muitas portas e janelas, a mulher dele era bem cabeluda, um cabelo armado sabe?
Depois sonhei com um Buffet que a gente trabalha, sentia muita fome e não passava nunca a comida, minha barriga gritava de fome, sede!

Depois ligava a tela do computador ou a tv não sei direito e via você.
Como se fosse um programa de tv. Mas um programa feito diretamente para mim.
Você me contava coisas, coisas muito atuais, você estava deitada, depois se levantava, dizia meu nome e me dizia, "Patricia, agora vou te mostrar a casa"

E começava a andar, a câmera ia se abrindo, era uma casa térrea colorida, de janelões, janelas muito altas, grandes, tinha cómodos verdes, rosas, vermelhos, cores bem berrantes, e uma sombra bonita no seu cabelo, que me contava estórias, enquanto a câmera mostrava cada canto daquela casa. Um casarão. A casa que você morava no Chile, conclui no sonho vendo o video.

Agora não lembro se você pedia para eu ir até ai te ver ou se você dizia que gostaria de voltar.
Você me contava muitas histórias, mas eu absorvia pouca coisa, ficava uma duvida no ar. Era longo o video.
Depois você se sentava numa cadeira na frente da casa e acenando para trás chamava as pessoas.
Haviam varias, uma equipe de cinema, de tamanho considerável, e eram eles, seus amigos da escola.
Era um filme, um belo filme.
Eu ficava um pouco atónita, de repente acordava de um sonho, mas ainda dormia, sonhava, sabe?
De repente não estava mais na frente de uma tela, estava lá ou ai, não sei, estava na casa de paredes com cores berrantes e janelas grandes.

Depois já estava nadando, nadando, quando me vi estava nadando numa piscina sem agua, algo como o chão, e tinha um maiô branco com sangue, eu limpava a mancha de sangue.

Tinha tanta coisa acontecendo quando ele me beijou os lábios e me disse que já eram 10 horas e que eu ia me atrasar.
Tentei não sair do estado inconsciente de sono, tentei segurar cada memória possível.
Acordei. Enfim.

Numa São Paulo cinza e fria, chuvosa, um convite para permanecer de pijama, ler os jornais preguiçosamente, comprar na internet o livro da peça, dormir...

Mas fui fotografar, trabalhar.
Hoje a jornada era dupla, consegui escapar da segunda parte, e trabalhar em casa, tomando goles d'agua, lendo Satre e editando fotos... escrevendo esse sonho maluco com você.



Um comentário:

Aninha Terra disse...

vc me sentiu, eu preciso de vc, preciso desse ar cinza...dessa chuva...ahhhhhhhhhhhhhhhhhh