quarta-feira, 27 de julho de 2011

Analógico


(tchê costa, patricia barcelos, eder magalhães, mayara mollo, ramoninha, foto de: Dona Gilda)

Adoro essa palavra, Analógico!
Ou Analógica, tanto faz!
Quando comecei a fotografar, estávamos ainda na fotografia de filme, analógico, e tinha todo aquele processo artesanal, que ignoramos atualmente.
O de comprar o filme especifico para o que fosse fotografar era só um deles.
Fotografar pessoas, retratos, tinha o filme certo, filme para pele! Paisagem asa 100, a noite iso 800, puxar o filme, levar no laboratorio, esperar algumas horas, ou dependendo do caso até alguns dias, para poder ver as fotos, e entre 36 fotogramas, sim esse era o limite, com sorte o filme esticava para 37, 38, raras exessões para 39!
Isso sem falar na fotografia PB, revelada manualmente, no laboratório da escola, aquilo era tão magico, eu ficava tão extasiada com aquela luizinha vermelha naquele breu total, e a hora de fazer as ampliações... Meu Deus, era magico!
Jogar o papel sensível na bandeja do primeiro químico, depois no revelador... e em alguns segundos, aquele liquido pintando aquela imagem que horas antes tinha "enxergado" através da lente da câmera...

Hoje meu filho, o Logan, me perguntou porque eu quis ser fotógrafa e fiquei pensando em como responder essa pergunta, e eis que não existe uma resposta, porque essa é uma resposta múltipla, com uma dúzia de argumentos, talvez mais.
A fotografia é multipla, em vários sentidos, em todos os sentidos!
Ela é arte, ela é noticia, ela é registro, ela é analógica, ela é instantânea, ela é manual, ela é pensada, ela é jogada, ela pode contar uma história, ela pode ser abstrata...
Ser fotógrafa, implica em muito mais vocação do que talento, em persistência, do que sorte, em sensibilidade do que velocidade.
Falo isso com a propriedade de quem apanhou muito para aprender, para entender o que é uma fotografia "estourada", uma velocidade de obturador errada, uma foto com muito teto...
Não é simples.
É Apaixonante, mas nunca simples, e para fazer o simples, é bem difícil.

Em pouco tempo de estrada, já tive que entrar na era digital, e quando comprei a Digital a minha fotografia deu um salto!
Sim, porque o digital tem o lance de errar, de repetir, de testar um milhão de vezes, cujo custo é o da maquina, por maior que ele seja, é só ele.
Senti uma grande banalização da fotografia, quando o Digital chegou, ouvi muitas histórias de gente da velha guarda, mas uma coisa é fato, todo mundo ganhou mais acesso a fotografia, com a banalização das maquininhas digitais, as pessoas tornaram-se devoradoras de imagens, e surgiu com isso uma multiplicidade do profissional da imagem, as pessoas buscam cada vez mais motivos para realizarem um ensaio fotográfico de alta qualidade, as pessoas tem acesso a milhões de imagens todos os dias, as pessoas criam a expectativa de que serão surpreendidas pelo seu fotógrafo, as pessoas exigem cada vez mais qualidade, diversidade, e isso é um universo sem limites.

Eu não sei qual o meu limite, acho que ele está bem longe, eu quero muito e sei muito pouco ainda.
Trabalho 100% Digital, trabalho com outros fotógrafos, a gente cria milhares de fotogramas por semana, um numero absurdo! As pessoas querem 1000 fotos, e querem que 999 saiam perfeitas, lindas!

A internet, as redes sociais, o celular, enfim o mundo digital trouxe com ele essa loucura toda, esses milhões de arquivos!!!
Eu trabalho com a edição também, as vezes acho que vou enlouquecer no meio de tantas imagens, adoro o digital, mas essa loucura da Fotografia Digital, me puxa para a Fotografia Analógica, mesmo!

A fotografia analogica, tem uma calma, um ritmo mais lento.
Comprei uma Fuji Instantânea, o filme é super caro, são só 10 poses, é preciso pensar naquela imagem que vai ser criada, avaliar se é essa foto mesmo que eu quero ter nos meus arquivos, pensar, medir a luz, ver o melhor angulo, e só então fazer o disparo!

Essa limitação, me leva na contramão, e faz eu pensar em ver a fotografia do lado oposto, com calma, paciência, acredito que fotografar não se limita em fazer mil fotos, apagar 400 e tratar 600 por horas no photoshop ou programa similar.
Porque não fazer 500 fotos decisivas, boas, bonitas, apagar 50, tratar outras 50 na pós edição, e ter 450 fotografias sensacionais?






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