quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sem Nariz

O Clown Sem Nariz

Sabe o que é um clown sem nariz? Sou eu depois de maia hora de brincadeiras na praça com nariz. Recarreguei meu bilhete único na estação e me direcionei ao ponto para ir de ônibus, seria mais confortável e me deixaria mais próxima de casa. Ai que tudooooo começou!Primeiro ouço uma buzina engraçada, era um Chevette branco parando no ponto para pegar uma estudante, e do nada a louca começa a cantar alto, “Meu carro é vermelho, não uso espelho pra me pentear”... Ai percebendo a falta de noção me protegi com fones de ouvido e boca calada.
Vi um ônibus escrito Pinheiros, em algum lugar vi escrito, Via Augusta e fui.
Menos de dois pontos, saquei que o ônibus era laranja e não azul e que estava fazendo um caminho estranho, “Moça esse ônibus vai pela Augusta?” Não, foi a sua resposta, esse vai pela Angélica ela completou. Ok me ferrei! Desci na praça da Marechal, andei apressadamente a rua que me levaria para Sta Cecília, passei duas vezes pelo ponto onde teria que pegar meu ônibus. Até parar, caia uma garoa fina e gelada anunciando alta queda da temperatura, eu achava graça até ai. Senti-me um Woody Allen, minha grana era curta para um taxi, como desejei pegar um! A pé, não dava com aquela garoa gelada e já eram 9 e 10 da noite! Um ônibus azul parou no ponto, quase todas as pessoas do ponto entraram, quando ele saiu, na plaquinha lateral li, “Brigadeiro Luiz Antônio”, corri e pedi que parasse, “ Moço passa no começo da Brigadeiro ali na Sé?”, “ Não, só depois da Paulista”, “Moço para, para, tenho que descer, não serve” O Homem bufou e parou eu agradeci e corri pro ponto, algumas poucas pessoas que estavam no ponto se entreolharam quando me viram ali novamente. Achei muita graça essa hora, e a primeira coisa que pensei foi, “Meu clown já começou, a cena já está rolando” e estava mesmo. Passaram muitos ônibus, muitos carros, alguns taxis, eu já estava com fome e muito frio. Pessoas chegavam e pessoas partiam daquele ponto, e eu ficava tão perto e tão longe de casa... A garoa parava a garoa voltava e eu lá. Tinha um prédio residencial do lado do ponto, um rapaz desceu de meias e chinelos de dedo com um grande cachorro branco de focinheiras, achei meio loucura ele sair com o cão naquela garoa, mas logo ele voltou, acho que desistiu do passeio ou só ia mesmo levar o cão para fazer um cocozinho noturno. Logo veio uma moça de cabelos lisos e saltos finos, que entrou no prédio, senti inveja! Ela estava em casa já, logo estaria nas cobertas e eu naquele ponto cheia de frio. Vieram vários, vários ônibus, o ponto ficou nu, só eu e o frio. Um cara meio jovem, meio estranho, de bengala, chegou ao ponto, me olhava muito, de um jeito estranho, neurótica pensei, “esse cara quer me roubar”, eu estava tão aflita que pensei entro no primeiro ônibus que aparecer! Minhas mãos suavam e eu de vez em quando olhava pra ver se ele não ia me surpreender, ele olhava,mudava de lugar, andava, e olhava, olhava mesmo, e nesse tempo não vinha nenhum ônibus, nenhunzinho. Ele estava de capuz.
Apareceu um ônibus, dei sinal , entrei ele também entrou, gelei! Não vi o nome do ônibus, nem sabia pra que lado iria, passei a catraca, sentei as mãos ensopadas, tentei secá-las na manga da blusa, disfarçar meu incômodo, a tempo ele havia percebido, ele se aproximou da catraca, tirou o capuz, olhou de novo, olhou mesmo, estava com medo, ele sentou la atrás, suspirei aliviada. Sem capuz era menos esquisito, era um cara bonito, bonito mesmo, na luz deu pra ver bem. Mas caras bonitos também podem te roubar poxa!
O ônibus que eu não sabia pra onde ia, passou pelo gato que ri, puxei o sinal, o rapaz ficou, desci e não olhei pra trás.
Passei por uns esquisitos, corri peguei o terceiro ônibus desci na Martins Fontes, decidida a não pegar outro ônibus, comecei a caminhar pra casa os quarteirões restantes, quando vejo o Shop Plaza Sul, aquele que esperei na Sta Cecília por mais de uma hora! Foi ai que peguei o quarto e ultimo ônibus da noite! Cheguei em casa as 22:40horas do dia 31 de Maio.

Nenhum comentário: