terça-feira, 6 de abril de 2010

A Chuva Fina e Fria


Chuva fina
Meias rosa choque e sapatilha velha de pano
Casaco pequeno
Calça preta surrada
Uma chuva fina sem fim
Um puta sono
Uma cara inchada
Marcas antigas, marcas novas e acnes novas também.
Nenhuma maquiagem
500 metros até o metrô e uma piscininha em cada sapatilha.
Meias rosas encharcadas

Cartão sem crédito
Fila
Multidão
Escada rolante
Anda, chuva, pés nas piscininhas...
Mais fila
Agora fila de turistas,
gente bonita, pomposa para se fazer cadastramento.
1500 Fotógrafos oriundos de todas as partes do país.
Pessoas com sono, pessoas ansiosas por novidades.
Chuva fina e fria, um salgado caro e mau feito na barriga
Os dentes sujos de amêndoas.
A pele machucada de acne, fria de chuva, os pés secos com toalha de papel descartáveis.

A expectativa de muitos e exelentes contrátos num futuro próximo.
Palestras muito boas
O Gostinho de estar aprendendo
O despertar de muitas ansiedades guardadas.
As novidades, as descobertas agregadas.
A vontade de conquistar o mundo num auditório lotado.


A volta pra casa, 12 horas depois
Um trem, uma estação, vagões, escadas, abarrotados de gente
gente de todas as idades, de todas as cores, de todos os lugares.
Uma garôa fina, fria e cortante, machuca a pele nua da nuca, resseca os lábios.
O desejo de um par novos de botas, de um cachecol felpudo, de um carro voador.
A sopa quente em casa
O pão sofisticado da padaria vizinha.
O banho quente, o roupão do marido, as meias da palhaça
O peixe de amêndoas, o chocolate velho, a alegria desconcertante de um filho loro.
Nenhuma foto bonita, nenhuma foto atual daquela que vive de fotografar os outros...

Um comentário:

Aninha Terra disse...

Cotidiano, o velho e diferente cotidiano da cidade...bjos