

Estou tão cansada.
Hoje durante o dia senti todo esse peso sobre mim.
Ainda bem. Porque agora, estou só cansada. Fisicamente cansada, excessivamente. E fedida também.
Estou soltando os laços, desamarrando os nós, enquanto ouço esse disco, que o Tche acabou de colocar, sinto a noite garoenta refrescando a casa.
Acho que não existe sensação melhor que essa, sabia? Acho que por isso, nós seres humanos trabalhamos tanto, tencionamos os músculos e provocamos tanta enxaqueca, será?
Só pra tirar o colar do pescoço, aquele que me da um colorido nesses dias que me sinto tão tensa, arrancar a sandália, abrir a fivela do sutiam e sentir o cheiro de suor, aquele sabe, que sai da dobrinha do seio, uma mistura de hidratante de camomila, sol, tensões, alegrias... Com cheiro de um dia quente de trabalho e atividades extra curriculares.
Agora tirei a calça também, e o cheiro não é dos mais agrádaveis. Meu Deus, como a gente fede, muito mais que os animais domésticos, as plantas mortas.... talvez menos que frios e frutas estragadas na geladeira, mas não muito menos.
Sabe, estou assim, que nem esse tempo ai fora, " querendo chover", querendo explodir numa tempestade de agua, mas não chove, segurando uma garoinha fina, discreta... Não sei explicar.
Nem pra quem lê e muito menos pra mim.
É tão difícil o ser humano, não é? É tão difícil ser mulher, ter quase trinta e essas coisas todas...
Eu penso em morte, eu penso em dor, em carinho, em solidão...
Em frustração.
Acho que é o adjetivo pra esse post, pra explicar, pra entender, sei lá.
To frustrada. Tenho motivos pra tal.
Todo mundo tem, e eu tenho os meus, poxa.
Ta tocando uma música bonita dos Beatles, e me da uma puta vontade de chorar, essa é uma das minhas músicas preferidas, talvez a preferida dos Beatles.
A merda, eu quero chorar, eu quero botar fogo no puteiro, eu quero sair por ai....
Sai com essa garoa e convida-la a chover.
Insiti com ela, a chover.
Eu já tirei a calça, o colar, o sutiam... Sei lá, talvez se eu tirar os brincos, se eu tirar esse esmalte vermelho da minha unha. Não sei.
Pode ser que seja sono.
Tem muitas coisas que quero falar, muitas coisas que quero explorar, par entender, pra destrinchar.
Escolhas
Quais são as minhas
Quais foram as minhas
Quais serão as minhas de hoje pra frente???
Em que momento eu abri mão de escolher? Em qual momento não foi me dado a opção de escolha?
Qual escolha eu me acovardei?
Qual escolha, eu aceitei passivamente? E se eu aceitei passivamente, até que ponto foi uma escolha?
Confuso né? Imagine para mim.
Pra ilustrar melhor isso, as duas imagens acima.
Essa flor amarela e branca, margarida né? Eu, eu Patrícia, escolhi fotografa-la, fazer esse enquadramento, etc. Entre tantas flores, tantas coisas, eu escolhi ela. E esse menininho loirinho e lindo, nesta paisagem natural de Floripa, eu escolhi?
De certa forma sim, mas veja como essa criança é bem mais complexa e profunda que essa flor, e ambas tem belezas e calores intensos.
De certa forma sim, mas veja como essa criança é bem mais complexa e profunda que essa flor, e ambas tem belezas e calores intensos.
Eu amo o Logan, paixão. Quando ele fez 7 dias de vida, foi um dos dias mais felizes da minha vida.
Eu olhava pra ele, e entendia, o que era sonho realizado. Entendia.
Mas as vias que esse sonho tornou-se realidade, será que eu escolhi? As vezes tenho certeza que não, mas será, será mesmo que não?
Começar a dirigir um carro e não dirigir mais num curto espaço de tempo, será que eu escolhi? Sera que não tive opção de escolha? Será que aceitei passivamente, ma acovardei, será...
Fotografar casamentos, ser palhaça de festas, dar aula de teatro, dar aula de fotografia, trabalhar de vendedora.... o que eu quero? Por que eu quero?
Fugir com o circo? Comprar banana ou abacaxi, sapato preto ou vermelho, mussarela ou queijo prato? Claro que é parmessão.
Opa, algumas coisas eu sei, eu as escolho, com certeza. Sem sombra de dúvida sou mais coca cola que pepsi, mais cinema que futebol.
Toca chorinho e eu gosto. Vou dormir o sono dos pesados.

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